( Um texto escrito de The Vampire Diaries, em homenagem a Damon e Elena. Cena dos dois juntos, terceira temporada)
- Elizabeth.
Quando tocou na mão dela e sentiu seu toque gelado, achou estranho. Não sabia se era porque haviam acabado de se deitarem na cama e os lençóis estavam frios por conta da janela aberta, ou por ela estar tensa ao seu lado, mas Damon sabia que sempre que pensava em Elena, imaginava que sua mão fosse tão quente quanto seu beijo. Era idiota pensar que ela fosse quente apenas por ter uma cor bronzeada, uma pele que lhe lembrava os dias quentes de verão na Itália que corria nos campos junto com Stefan.
Apertou mais um pouco a mão dela apenas aguardando alguma reação. Podia sentir Elena com seu costume de dificultar sua própria respiração, travando na hora de soltar o ar. Escutava o coração dela, o sangue percorrendo suas veias e seus músculos de uma forma calma e suave: era seu mantra.
Ela apenas brincou míseros instantes com seus dedos e depois levantou com pressa da cama vestindo seu casaquinho e olhando a varanda a sua frente. Por um momento ela relaxou inconscientemente por se afastar do demônio.
– Elena, o que foi?
– Damon, eu... - ela estava de costas com as mãos em seus próprios ombros. A respiração tensa e dificultada. Ele não queria nem saber de como estaria a mente dela.
– Por que não? - a pergunta saiu involuntária. Inconstante. Não queria despertar a pena dela, perguntou por perguntar. Damon fazia o máximo possível para não lembrar do porque estar ao lado dela fazia se sentir tão vivo e na mesma proporção, tão doloroso.
Tornara-se vampiro por um comportamento impulsivo de se auto destruir, e uma humana como Elena, simples e doce, fazê-lo querer viver, era repulsivo para seu ego, para se carregar.
Aguardou sua resposta. Pensou no que ela lhe diria em uma fração de segundo. Detestava esses instantes derradeiros que parecia que estava prestes a se partir. Que lhe sufocava até os pensamentos apenas de imaginar o que ela estava pensando. Elena poderia lhe trazer tudo que mais precisava, mas amá-la era maçante. Era fazer com que seu próprio corpo se calejasse de tanto estrago, de tanto medo, de tantos riscos a correr.
Apenas pule, Elena.
E ela virou-se e correu para seus braços e o beijou. Damon poderia ter a idade que fosse, poderia ser um animal de tão rápido, mas nunca foi pego de surpresa como desta maneira. Se beijaram como se fosse o fim, a última respiração, o último olhar ao mundo.
Damon se apaixonara pelos cabelos de Elena. Por suas mensagens de SMS pedindo socorro, pelos planinhos que faziam para alguma aventura; pelos jantares e por irritar Stefan. Os olhares de irritação, lições de moral, o movimento de mexer os lábios tão diferente dos de Katherine. Ela exigia mais vida, mais amor, mais de si mesmo. Elena Gilbert conseguia fazer o caminho mais contrário da sua vida parecer o certo.
Poderia não ser juntos. Mas Damon e Elena estava perfeito. Tudo que poderia indiscutivelmente purificá-lo.
Jeremy interrompera a alucinação de ambos que durara tão pouco tempo. Elena se afastou rapidamente. E ele não quis deixar sair pra fora o amor que morava dentro dele: deixou ela ir.
E ali sobrara apenas o vento frio sem Elena.
Mas Damon trocaria sua eternidade pelo simples toque da boca dela.
Uma temperatura inconstante pelo silêncio monstruoso que o mundo lhe caíra.